Pesquisa aponta potencial de crescimento para concertos em Cuiabá; Sesi projeta novas ações
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pessoas em todas as capitais brasileiras.
Foto: Viviane Saggin
O Sistema da Federação das Indústrias (Fiemt), por meio do Serviço Social da Indústria (Sesi MT), marcou presença no evento de apresentação da pesquisa Cultura nas Capitais, realizado na quarta-feira (27) no Auditório Otacílio Borges Canavarros, na Fiemt. O encontro reuniu pesquisadores, gestores e representantes do setor cultural para debater os resultados do maior levantamento já feito sobre hábitos culturais no Brasil.
Durante a programação, a Federação trouxe ao debate a experiência do Observatório de Mato Grosso e do IEL MT, responsáveis pelo estudo Economia Criativa no estado, lançado anteriormente (confira aqui). A comparação entre os dados locais e nacionais reforçou a importância do diálogo entre diferentes levantamentos.
Sesi e Observatório de Mato Grosso apresentam estudo inédito sobre economia criativa no estado
Segundo Moisés Lara, supervisor de projetos e processos do Observatório que participou da Mesa 1 - Acesso à cultura nas capitais: desigualdade e diversidade, a pesquisa nacional ajuda a complementar os achados do estudo mato-grossense. “A pesquisa Cultura nas Capitais traz dados primários que não tínhamos. Isso melhora a nossa visão sobre a cultura em Cuiabá de forma mais abrangente e estratificada, ampliando o que já havíamos mapeado na economia criativa”, destacou.
Ele destacou que a comparação entre os levantamentos abre espaço para novos desdobramentos. “Os dados da pesquisa Cultura nas Capitais complementam o estudo da economia criativa e permitem ampliar nossa análise, trazendo uma visão mais completa sobre financiamento, consumo e práticas culturais em Cuiabá e no estado”, afirmou.
Também compuseram o debate Jan Moura (Secretário adjunto de Cultura do Mato Grosso) e Johnny Everson (Secretário de Cultura de Cuiabá), com mediação de João Leiva, coordenador da pesquisa Cultura nas Capitais.
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do setor cultural para debater os resultados.
Foto: Viviane Saggin
A programação contou ainda com a mesa Hábitos culturais em Cuiabá: música, espaços e eventos. Participam Lígia Red Snake Viana, Coordenadora do Escritório do Ministério da Cultura no Mato Grosso; Lindisey Catarina de Sá, produtora cultural; e Sandro Lucose, ator e produtor cultural.
Concertos em Cuiabá
Dados da pesquisa Cultura nas Capitais revelam que 9% da população cuiabana participou de concertos de música erudita ou de repertório popular no último ano. O índice é semelhante ao de outras capitais do Centro-Oeste e superior ao de várias regiões do país, demonstrando que Cuiabá possui um público fiel, mas ainda com grande potencial de expansão.
O levantamento detalha a participação por faixas etárias: 7% entre jovens de 16 a 24 anos, 5% entre 25 e 34 anos, 13% de 35 a 44 anos, 12% de 45 a 59 anos e 7% acima de 60 anos. Os dados indicam que, embora o público adulto esteja mais presente, há espaço para ampliar a adesão de jovens e idosos.
Em Mato Grosso, o Sesi já vem estimulando esse acesso por meio de projetos como o Sesi no Parque e o Sesi na Arena, que levam concertos gratuitos e de qualidade para espaços públicos e arenas esportivas, aproximando a música de diferentes públicos.
Para o maestro Fabrício Carvalho, convidado da temporada 2025 da Orquestra Sesi MT, os resultados reforçam a necessidade de ampliar iniciativas. “É um campo em que podemos avançar, criando condições para que mais pessoas tenham acesso a apresentações musicais e experiências artísticas diversas. Projetos como os que o Sesi já realiza mostram que, quando a música vai ao encontro da população, o interesse cresce e se renova”, avaliou.
Conexão entre cultura e educação
O representante do Observatório de Mato Grosso, Moisés Lara, também ressaltou como os dados gerais podem orientar as áreas de cultura e educação. “A pesquisa estratifica informações da população cuiabana de uma forma que o caderno da economia criativa não trouxe. Isso facilita muito as ações do Sesi e do Senai em trazer soluções tanto para a cultura quanto para a educação, que são áreas fortemente vinculadas”, concluiu.
Principais Resultados
A pesquisa da JLeiva Cultura & Esporte ouviu 19,5 mil pessoas em todas as capitais brasileiras e conta com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale por meio da Lei Rouanet, Lei Federal de incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. O projeto também tem a parceria da Fundação Itaú. Em Cuiabá, foram entrevistadas 600 pessoas, de todas as regiões do município. A pesquisa de campo foi feita pelo Datafolha.
- Capital do sertanejo:
- 68% dos cuiabanos têm o gênero sertanejo como o mais ouvido – o dobro da média nacional e recorde entre todas as capitais
- Presente em todas as idades, classes sociais, escolaridades e religiões
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coordenador da pesquisa Cultura nas Capitais.
Foto: Viviane Saggin
- Outras preferências: gospel, MPB, rock e pagode
- Rap é um dos estilos menos ouvidos (6%)
- Acesso cultural:
- Acima da média nacional em circo (18% vs 14%)
- Dentro da média em dança (24%), feiras do livro (18%) e concertos (9%)
- 34% participaram de festas populares (próximo à média de 36%)
- Apesar disso, Cuiabá tem índice mais alto de pessoas que nunca frequentaram atividades culturais (desafio de inclusão)
- Carnaval e festas:
- Apenas 10% participaram de blocos ou desfiles (média nacional: 17%)
- Forte presença de festas religiosas (27% dos que foram a festas populares)
- Eventos mais importantes:
- Cururu e Siriri (15%)
- Festas religiosas, como a de São Benedito (5%)
- Aniversário da cidade (7% – maior percentual entre capitais)

como o Sesi no Parque. Foto: Viviane Saggin
- Gastronomia:
- 43% associam um prato à base de arroz como identidade culinária (média nacional: 3%)
- Destaque: arroz maria-isabel (36%)
- Também citados: farofa de banana (13%) e peixes (13%)
- Espaços culturais mais frequentados:
- Praça da Mandioca (68%)
- Sesc Arsenal (60%)
- Cine Teatro Cuiabá (57%)
- Museu Histórico de Mato Grosso (34%)
- Instituto Casarão das Artes (21%)
- Práticas culturais:
- 30% praticam alguma atividade cultural atualmente
- 47% já praticaram alguma atividade, mas deixaram de praticar (junto com Recife, maior índice entre capitais)
- Capoeira: 25% já praticaram ou ainda praticam (acima da média nacional)
CONFIRA A PESQUISA COMPLETA AQUI
Texto: Viviane Saggin