Diversidade e inclusão na mineração: liderança, dados e desafios marcam debate na Expominério 2025
mais estratégico para o setor mineral brasileiro
O quarto painel do ciclo de palestras realizado nesta quarta-feira (26), na Expominério 2025, trouxe ao centro das discussões um tema cada vez mais estratégico para o setor mineral brasileiro: diversidade e inclusão nas empresas.
Mediado pela superintendente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e do Instituto Euvaldo Lodi de Mato Grosso (IEL-MT), Fernanda Campos, o painel reuniu especialistas e lideranças empresariais para discutir os desafios, números e caminhos para ampliar a participação de mulheres, pessoas com deficiência e públicos em vulnerabilidade no setor.
7.016 são homens e apenas 1.085 mulheres
Fernanda apresentou dados do Observatório de Mato Grosso, que mostram a desigualdade na participação feminina no mercado de trabalho. Segundo ela, dos trabalhadores empregados na indústria mineral brasileira, 7.016 são homens e apenas 1.085 mulheres — cerca de 13% do total.
“Hoje o setor ainda é majoritariamente masculino. Em algumas empresas já existe avanço, como a Nexa, que alcançou 22% do quadro formado por mulheres, superando a média nacional. Mas ainda estamos longe de um cenário ideal”, destacou.
A superintendente também chamou atenção para outro indicador: 621 mil mulheres estão fora do mercado de trabalho no estado, e 235 mil declararam que não trabalham porque precisam permanecer em casa — um reflexo direto da falta de políticas institucionais de suporte, como creches, flexibilização de jornada e apoio à maternidade.
Ela ainda reforçou que o tema ainda gera resistência dentro das empresas, especialmente nos setores de recrutamento e gestão de pessoas.
da Mulher da Fiemt, Ana Cássia Rangel
“Quando falamos em diversidade e inclusão. Estamos falando de incluir pessoas que, historicamente, não estariam no ambiente corporativo: mulheres em vulnerabilidade, pessoas com deficiência, trabalhadores com baixa escolaridade. Isso não é ideologia, é prática e necessidade social.”
Papel da liderança
Desneaux; e da analista Sema/MT, Sheila Kleine
A presidente da Câmara da Mulher Empresária da Fiemt, Ana Cássia Rangel, reforçou o papel estratégico da liderança na transformação cultural.
“A mudança começa no topo. Líderes que entendem o valor da diversidade conseguem enxergar antes do mercado a necessidade de transformar processos, promover inclusão e garantir equidade.”
O painel também contou com a presença da gerente geral de Recursos Humanos da Nexa, Lívia Desneaux Monteiro; e da analista ambiental da Secretaria de Meio Ambiente (Sema/MT), Sheila Kleiner.
Cada convidado apresentou experiências e políticas implementadas em suas áreas, reforçando que a adoção de metas e indicadores, aliada à sensibilização interna, é o caminho mais assertivo para fortalecer a inclusão no setor.
Texto: Vívian Lessa