Após um mês de vigência, indústria de Mato Grosso aposta em diversificação de mercados para enfrentar novo ciclo de tarifas dos EUA
Após um mês de vigência das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, o sinal de alerta permanece aceso em economias ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Em Mato Grosso, embora apenas 2,3% dos produtos industrializados tenham como destino o mercado norte-americano, esse percentual representa centenas de milhões de dólares em exportações, o que exige atenção redobrada do setor produtivo.
Especialistas apontam que o momento pede cautela e estratégia. A retomada da aplicação de tarifas pode atingir segmentos específicos da indústria mato-grossense, como carne, ouro e madeira. Ainda assim, a avaliação é de que o cenário, por ora, não é amplamente desfavorável.
“O impacto direto é relativamente pequeno, mas como Mato Grosso é um estado fortemente exportador, qualquer variação no comércio internacional precisa ser acompanhada de perto”, avalia o coordenador de Relações Internacionais da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Antônio Lorenzi.
Diversificação aparece como principal saída
Entre as principais alternativas para mitigar os efeitos do chamado “tarifaço” está a diversificação de mercados. Produtos que eventualmente percam competitividade nos Estados Unidos podem ser redirecionados para outros destinos, como Europa e Ásia, reduzindo a dependência de um único parceiro comercial.
O desempenho recente reforça essa leitura. Mesmo com a adoção de tarifas adicionais no ano passado, os principais produtos industrializados não registraram quedas expressivas. Pelo contrário: carne e madeira apresentaram crescimento nas exportações, ainda que abaixo do potencial esperado em um ambiente sem barreiras comerciais.
A exceção ficou por conta do ouro, que teve retração de cerca de 55% nas exportações. Apesar disso, o setor não foi amplamente prejudicado, justamente pela possibilidade de acessar novos mercados internacionais.
Diplomacia e negociação entram no radar
Outro caminho considerado essencial é o fortalecimento do diálogo diplomático. A orientação é buscar, por meio de negociações comerciais, evitar a ampliação de tarifas e preservar a competitividade da indústria brasileira.
“Os Estados Unidos seguem sendo um mercado muito relevante para o Brasil e para Mato Grosso. É fundamental monitorar continuamente esse movimento, atuar diplomaticamente e, ao mesmo tempo, ampliar a presença em outros países”, conclui Antônio Lorenzi.
Texto: Vívian Lessa