Siamt e CTT realizam palestra sobre Reforma Tributária que deverá impactar indústria de alimentos
para as empresas e exige preparação
A Reforma Tributária deverá provocar mudanças significativas na rotina da indústria de alimentos. Os impactos alcançarão desde a formação de preços e a gestão de créditos tributários até a relação com fornecedores, os contratos de longo prazo, o fluxo de caixa e os sistemas utilizados pelas empresas.
Para discutir essas transformações e orientar o setor sobre os próximos passos, foi realizada, na quarta-feira (17), a palestra “Reforma Tributária no Setor de Alimentos: o que todo empresário precisa saber”.
O encontro foi promovido pelo Sindicato das Indústrias da Alimentação de Mato Grosso (Siamt) e pelo Conselho Temático Tributário da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). A especialista Fernanda Silveira, doutora em Direito Tributário pela UFMG, advogada e consultora com mais de 17 anos de experiência em demandas tributárias e empresariais de alta complexidade, apresentou uma visão técnica e prática sobre a nova dinâmica dos tributos, os impactos operacionais e as mudanças na relação entre débitos e créditos.
A apresentação mostrou que a adaptação não ficará restrita aos departamentos fiscal e contábil. A nova sistemática deverá envolver também áreas como financeiro, compras, comercial, tecnologia e gestão de contratos, especialmente diante da integração entre documentos fiscais e pagamentos.
Para o presidente interino da Fiemt, Edgar Borges, o momento exige que as empresas antecipem a preparação para as mudanças e avaliem os impactos da reforma de forma integrada.
“A Reforma Tributária representa uma mudança estrutural para as empresas e exige preparação. Na indústria de alimentos, os impactos chegam a diferentes áreas do negócio, desde a formação de preços e gestão de créditos até a relação com fornecedores e os contratos. A Fiemt tem o papel de promover informação e conhecimento para que as empresas possam compreender esse novo cenário e se preparar para a transição com planejamento e segurança”, destacou Edgar Borges.
Siamt reforça atenção às particularidades do setor
O presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentação de Mato Grosso (Siamt), Wilmar Franzner, destacou a importância de levar informação às empresas do segmento diante das particularidades que envolvem a cadeia de alimentos.
“A indústria de alimentos tem uma cadeia extensa e bastante diversificada, que envolve produtores rurais, fornecedores de insumos, indústria, distribuidores e varejo. Por isso, compreender como a Reforma Tributária vai impactar cada etapa é fundamental. Nosso papel, enquanto sindicato, é aproximar as empresas dessas informações e contribuir para que o setor esteja preparado para as mudanças que virão”, afirmou Wilmar Franzner.
Nova lógica poderá alterar formação de preços
Um dos principais pontos abordados durante a palestra foi a formação de preços. Na nova sistemática, IBS e CBS serão destacados “por fora”, deixando de ser um componente oculto do preço. Essa alteração terá reflexos sobre o caixa, as margens e a precificação dos contratos.
Fernanda Silveira explicou que, diante dessa mudança, as empresas precisarão deixar de analisar apenas o valor nominal das notas fiscais e passar a considerar o custo líquido das operações, levando em conta os créditos tributários disponíveis.
“A Reforma Tributária muda a lógica de funcionamento das empresas. No setor de alimentos, será necessário olhar para a formação de preços, os créditos tributários, os fornecedores e os contratos de forma integrada. O tributo passa a ser uma parcela explícita da operação, com reflexos no caixa, na margem e na precificação. Por isso, a preparação precisa envolver não apenas o setor fiscal, mas toda a estrutura da empresa”, explicou Fernanda Silveira.
Para a indústria de alimentos, o perfil tributário de cada fornecedor passará a ter peso ainda maior na composição do custo das aquisições. Durante a palestra, foram discutidas as diferenças entre fornecedores do regime regular, empresas do Simples Nacional, produtores rurais e cooperativas.
A recomendação apresentada aos empresários foi mapear a cadeia de fornecedores, identificar o regime tributário de cada parceiro estratégico e calcular o custo líquido real de cada origem.
Texto e fotos: Vívian Lessa